terça-feira, 27 de setembro de 2011

Devo voltar ao "homem velho"?


Tinha por hábito ser muito doce, tinha por hábito ainda tudo perdoar e julgar-me a culpada dos erros e sofrimentos de terceiros. Era uma criança! Se a criança não se sente amada e desejada, tem por hábito julgar-se culpada... crê ter feito alguma maldade muito grande, para não gostarem dela assim!

Com o tempo e cresciemento, fui criando defesas... as denominadas auto-defesas! São carapaças, muralhas até... que se erguem em nosso redor. Impedem os outros de se chegarem até nós, não deixamos que ninguém nos ame, mas também ninguém se chega a nós para nos magoar! Um ser humano, dentro de uma armadura quase inviolável, ninguém passa!

Com o tempo, deixei de ser sensivel e/ou emotiva! Se alguém fosse desagradével comigo, não ficava sem resposta adequada... e era de tal forma, que não repetiam a proeza 2ª vez. Eu, era incisiva [apontava o erro sem piedade], curta [era muito directa nas minhas respostas e observações] e não olhava para trás [ não adiantava nenhum pedido de desculpas].

Um dia, abri o meu coração ao amor de DEUS e fiquei mais sensivel. Eu até o era no passado, mas mascarava-me de dura... deixei cair as minhas muralhas, as minhas "armaduras de combate"... passei a ser eu de verdade. Comovia-me agora com o sofrimento alheio. Perdoando, dava agora nova oportunidade aos outros, não só de se erguerem... como até de me pedirem perdão. A grande curiosidade que encontro... e faz-me confusão de verdade, é que o maior sofrimento que passei, foi-me provocado pela comunidade dita de Igreja. Encontrei naturalmente pessoas muitos boas, dóceis... uns verdadeiros anjos. Mas todas aquelas que me magoaram e me prejudicaram de verdade, nenhuma delas voltou atrás a pedir desculpa... fui perdoando no meu coração e no silêncio da oração!

A verdadeira diferença, encontrei-a na sociedade dita "secularizada". Mudando o meu comportamento de "auto-defesa" e "critica impiedosa", notei a mudança destes que cruzam comigo no dia-á-dia, que nem vão á Igreja, na sua maioria!

Tenho algumas questões que me inquietam, que me causam quase "urticária".

- Como queremos nós contagiar outros, a converterem-se ao amor de Deus?

- Que exemplo de comunidade, damos nós?

- Quem é o meu próximo? O pobre de África que sofre com a fome, ou o irmão que se senta ao meu lado no banco da igreja, e que eu começo logo a julgá-lo?

- Devo optar por uma postura diferente em Igreja? Ser indiferente á comunidade e demais serviços? 

- Que bem, eu pratico? Rezo pela fome no mundo e dou umas notitas num envelope, mas esqueço-me que embarco em boatos, denegrindo a imagem daquele que chega de novo á igreja?

- Que solidariedade, eu pratico? Quando faço campanhas de recolha de cobertores, mas "esqueço-me" de responder a quem me procura.

- Quem sou eu, quando prego a fraternidade e jogo os outros á indiferença?


Talvez eu seja mesmo muito sensivel e deva mudar...
Agora eu pergunto-me a mim própria; devo eu, voltar ao "homem velho"?


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