terça-feira, 25 de outubro de 2011

Com idade suficiente...


... para ser minha mãe, contou-me as suas dificuldades nos primeiros anos de casada. Uma história bonita, mas com várias dores pelo meio.

Ouvi-a com carinho... aprecio de verdade estes momentos. Um almoço tranquilo e em espaço privado...

Foi amor á primeira vista, contou.
- "Não eramos experientes na vida, nem eu... nem ele..."  Embrulhou-se-lhe a voz e adiantou: -"era virgem, entendes? Acreditas que já depois do casamento consumado, eu achava que ainda era virgem? Ai que tapadinha... não sabia mesmo nada. Foi o médico que nos explicou, que ao perder a virgindade, não teria necessariamente que haver rompimento do hímen. Descobrimos que estava grávida!"

Ouvi-a com atenção e com muita ternura... o marido batia-lhe, nos primeiros anos de casada. Havia crescido nesse ambiente violento, era o que conhecia... a mãe dela, encorajava-a a ficar casada, assegurava-lhe que ele mudaria. O filho, teria apenas uns 7 anos... ao vêr o pai a querer agredir a mãe, fez-lhe um ultimato, prometeu colocá-lo [ao pai] na rua. O pai parou... saiu porta fora... voltou ao fim de algumas horas e remédio santo, nunca mais lhe levantou a mão.

Esposa de um homem só! Foi o que pensei durante a nossa conversa... com tantos anos de diferença, senti-me igual [excepto na agressão e alguns conhecimentos]. Também nunca tive ninguém que me preparasse para a vida... fui sempre atenta, curiosa e prudente. Aprendi muito sobre a reprodução humana, em ciencias e saude. No fundo, funcionou como educação sexual! Não entendo por isso, porque hoje tantos se opõem... o saber cientifico não ocupa lugar! Saber como funciona o nosso corpo é um bem inestimável, já a formação moral... essa vem de casa, desde o berço! Será que é disto que têm medo? É que dá trabalho?!

Recordo o meu tempo de gestação, houve um momento que me senti "ofendida"... as enfermeiras, deram-me um formulário que deveria preencher criteriosamente. Encontrava-me só com o meu bebé [na bariga], já não recordo quantas perguntas tinha aquele questionário... mas recordo bem, as questões que me chocaram: 

 - Quantos parceiros teve? 
 - Com que idade iniciou a sua vida sexual?

Havia mais... mas estas duas questões, ofenderam-me! Gritei em silêncio, com vontade de rasgar aquilo tudo... respondi com sinceridade, mas contrariada! Afinal, eu sempre fui esposa de um homem só!

Mesmo sem nunca ninguém me preparar para a vida, decidi desde muito cedo, que só "me levaria" quem de facto me merecesse! Foi o que fiz!

Nestes tempos de facilidades e facilitismos, o que está errado, assim como há trinta anos atrás... é quem deve cuidar de preparar para a vida, demitir-se dessa função! É esta a minha opinião... não sei se valerá alguma coisa, nem se terá impacto algum dia... mas sempre tracei o meu caminho, sem curvas, sem desvios... não foi de todo fácil, mas é possivel! Houve dor, lágrimas, solidão e noite escura... mas tudo isso me fez mais forte, mais capaz, mais fiel aos meus principios morais, dos quais não abro mão!  

2 comentários:

Angel@ disse...

Oi, amiga! Passando para visitar seu cantinho abençoado e te abraçar com carinho.
Que Deus e Maria estejam sempre contigo!

Filha de Maria disse...

Angela;

Muito obrigada.

Um beijinho fraterno para si e que Deus N. Senhor a abençoe.