terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Porque dói?




Tinha a ideia de ter perdoado, um por um... cada momento , e a cada um deles! Mas de facto, quando as circunstâncias me obrigavam a visitar o que está para trás, as lágrimas caíam...

Acabei por duvidar, se verdadeiramente, havia perdoado...

Na minha confissão geral, dei por mim em choro compulsivo... queria parar, mas não havia meio... no fim, dizia-me o Sacerdote, que mais parecia um pai: " por vezes, contamos várias vezes as mesmas coisas, aos nossos amigos, para nos sentirmos aliviados, porque não contar então, várias vezes as nossas dores, para Deus? Na confissão, fala com Deus... então conte-LHE a mesma história, as vezes que achar necessário"

O Padre, rezava por nós, para que pudéssemos alcançar a cura interior... e a velha questão inundava-me o coração, será que já perdoei?  E a resposta, veio pelo próprio, da seguinte forma: " se você, já perdoou, mas ainda sente dor, espere, é uma ferida e ela curar-se-à com o tempo..."

Quando rezaram por mim, senti perfeitamente aquela dor... e depois uma calma, a ternura do Pai Celeste!




Lembro-me que disse a JESUS, se me Desses a oportunidade de nos revermos, abraçava apenas... 

As palavras têm destas coisas, quando mal ditas, quando mal pensadas... matam... e se a nossa hora chega e partimos, então é irreversível. Por isso, na maioria das vezes, permaneço calada... oiço e quero responder, mas calo, para não ferir. Não se lembram, do muito que deixaram por fazer? Eu, não servirei de memória. Sigo o mais próximo de Jesus, que consigo e continuo caminho! 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Senhor Jesus...


... quero levar para Ti, muitas almas. Aceito tudo o que Desejares enviar-me. Faça-se em mim, segundo a Tua vontade, e nunca a minha...


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A Laranja amarga...



Em tempos, tive algum contacto com as lides agrárias, e por isso hoje deixo aqui o que me vai na alma, em jeito de parábola. 

Há quem me esprema até à ultima gota, mas ainda não se deu conta, que sou uma laranja amarga!

Observando o avô de umas amigas minhas, na pequena vinha do convento, ele cortava pequeninos ramos, abria-os ao meio - na parte que havia ficado - e com um outro pequenino raminho encaixava-o nessa ranhura aberta e ligava-os com um atilho. Intrigada com aquele processo delicado e repetitivo, questionei-o sobre o que fazia... riu-se, encolheu os ombros e voltou a soltar uma risada... com a mesma delicadeza que fazia aquela operação, explicou-me que aquilo era um enxerto, se queria uvas doces e em abundância, haveria de fazer aquele trabalho. Sorri-lhe, por me ter ensinado que para ter uvas doces, é preciso cuidar da videira.

A vida foi-se-me sumindo pelos anos fora, e este episódio nunca o esqueci... 

Laranjeiras plantadas no meio da cidade, nos passeios, todos sabemos que são meramente decorativas, são amargas e não se devem comer, pois não há quem cuide, quem enxerte...

Tive necessidade de saber porque era eu tão amarga, amarga e não amargurada! Olhei para trás, para ver o que lá tinha ficado... vi a sementeira... não vi a terra arada, não vi a terra adubada, não vi a terra regada, não vi a laranjeira enxertada... vi apenas, que tinha ali ficado... deu flor, deu laranjas... e foram doces até se esgotar... vieram as pragas e não ouve cuidado algum, veio a seca e não foi regada, veio a geada, primaveras, Verões, Outonos e Invernos da vida e apenas sobreviveu, Graças à providência Divina.

Porque então, agora que voltaram, querem colher laranjas doces? Não basta semear... há que cuidar!

Quando alguém semear cardos, não espere colher rosas! Quando alguém semear rosas... cuide da roseira, para que ela cresça forte e viçosa! Não deleguem nos outros, os trabalhos, que devem ser vossos... não esperem por amanhã para colher... a vida de um agricultor é diária, aprendam com ele, a cuidar das vossas árvores de fruto!

Hoje entendo-me e recuso a sentir-me culpada!





domingo, 16 de fevereiro de 2014